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sábado, março 22, 2008

Os Nomes e as Coisas


Estranhamos as coisas que não possuem nomes
por não sermos capazes de lidar com o espaço vazio.

Perdemos tempo lançando nomes,
aprendendo nomes, trocando de nomes,
ofertando nomes, pagando por nomes,
negociando nomes, lucrando com nomes,
sempre em débito com nomes.
Como se, no final do mês,
um saldo positivo de sentidos e classificações
não esvaziasse a conta de nossa própria experiência
através de nossos bolsos puídos.

E, sem que se troquem as letras,
os nomes são sempre modificados.
Seus preços, suas metas, suas negociatas.

Coisas, coisas, coisas
ainda respiram e deixam de respirar
à revelia deste mercado de ações dos sentidos.

Fazemos da linguagem uma bolsa de valores.
Mas o sentido das coisas não é uma moeda estável.


Estável, somente o espaço vazio.
.
.
(texto e desenho: Chuí)

9 comentários:

Alba Regina disse...

oi chuí! cá estou eu novamente! já falei vou repetir: adoro suas gravuras ... uma planta seca, casulos de borboleta? nomes. nós aqui sempre e sempre tentando dar nomes não é? enfim, são lindos. é nanquim? quanto a anne sexton, adoro. e, realmente ela tinha um grupo e fazia apresentações lendo seus poemas. era uma mulher linda. estou lendo a biografia dela. tão dolorida. incrível, fico tentando compreender como alguém tão "pertubada" conseguia escrever com tanta clareza e força assim como sylvia plath. aqui vai meu e-mail: hospedariaexisteumlugar@hotmail.com; e, se quizer conhecer meu blog: victorgdebarcellos1910.blogspot.com - " Pérolas Da Rainha". um abração! Alba Regina De Barcellos.

Menezes disse...

Um problema entre os problemas, ao se dar nome às coisas, é lidar com a mudança, a metamorfose.
Quando uma folha é enrolada e enredada pela borboleta, para fazer seu casulo, ainda é folha e já não é mais.
Quando uma flor murcha suas pétalas, para dar lugar ao fruto, ainda é flor e já não é mais.
O seu desenho lembra a folha que é casulo e a flor que mostra o fruto.
Contratem-se botânicos e entomologistas, peçam-lhe os novos nomes, para só então submete-los a gramáticos, filólogos ou semiologistas.
Se encontrarem os nomes das partes, em cada detalhe pendure-se uma etiqueta, com o TÍTULO EM LATIM e em baixo, entre parênteses, (O NOME VULGAR) .
E o seu desenho jamais será o mesmo. Se não encontrarem um nome apropriado, por faltar cientificidade à pesquisa, suspire aliviado e renovado, que desenhar a vida é reinventar a vida, possivelmente sem nome.
Ao contrário, quem sabe, não valeria mesmo a pena...

Anônimo disse...

nooosa, q loco, o q vc tomou pra desenhar isso....

Germano V. Xavier disse...

Grande Chuí!

Nossa estão zerada como marco de nossa existência, a tábula rasa defendida como ópio da vida... Melhor saber-se zero do que o tudo-nada... melhor o oco do saber do que a ignorância do complexo...

Sempre prestigiando teu trabalho, meu amigo!

Abraço amigo!

Germano
Aparece...

Carlos disse...

parabéns pelo blog, belos desenhos.
Carlos

rafaela disse...

chamei-o de levàrficedni! - o desenho - parece latim, né? rs

:-)

beijo, Fer!

Fernando Chuí disse...

Olá, Rafaela!
O nome parece bem apropriado, já que é quase impronunciável e eu nunca me lembrarei depois...
Beijos!

barb michelen disse...

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