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quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Fauna IV


Noite de mim, espelho d'água
Algo cintila o oco entre as cores

..................... Espreita-se como uma pichação que andasse

Por cada muro da cidade
Só quer se sentir
......................................compartilhado

Caminha mirando a lua
como se andasse a lambê-la
......................................tina de leite

De dentro do labirinto
Mira o olho o horizonte
Apenas sente
.......................................aquilo que mente

Inveja a morte que é minha
Porque nem morte se chama
Como ela também é negro
........................................também é silêncio
........................................também tem charme
........................................também chama


O que me olha de dentro do

rio

.........................................é um gato


(ilustração: Fernando Chuí & Marcia Tiburi)

15 comentários:

Amarilis disse...

Fernando,
esse poema é belo!Belíssimas imagens!

"Noite de mim, espelho d'água
Algo cintila o oco entre as cores"
...
"Caminha mirando a lua
como se andasse a lambê-la
tina de leite"
...

Cayetano disse...

Muito legal, cara.

En Pedraza, se han encontrado viejos-perros.

Abraço. Caye.

Yone disse...

Oi Chuí, você continua derramando sua alma sensível em versos. Parabéns. Beijo

Yone

Luiza Cristov disse...

Farnando, grata por mais esta fauna...linda, linda...adorei a idéia de lamber a lua que é tina de leite...
...
bom samba...eu pretendo rasgar minha fantasia na quarta feira, após me deleitar no mar e no sol...vou à praia. Pensei na palavra deleitar: de leite. Como é que a humanidade criou histórias e histórias e grudou o prazer no leite assim deste jeito?
grande abraço
Luiza

guappo disse...

fauna IV
puro deleite....

Juliana disse...

Olha Fernando... acabei de ler algo que me fez parar para pensar: conseguir mirar um horizonte quando de dentro de um labirinto nos remete a uma subjetividade: a esperança, quando não vemos mais saída... Minha interpretação não é absoluta: há muitas outras [e todas elas belas]. Parabéns! Nota: percebeu que cada um tira do que lê aquilo que tem a ver com sua própria existência? Do meu labirinto, quero mesmo encontrar o horizonte... quem sabe assim eu não encontre o [meu] norte? Grande abraço [e obrigada].
Juliana Hatoum

Luiza disse...

Nas profundezas tento enxergar o todo que está fora.
Espero olhar, conseguir ver.
Se não conseguir luto como um espadachim à procura da vida.


Bjos,
Luiza

Fernando Chuí disse...

Luiza, das profundezas, acho que precisamos usar outros olhos; aqueles que enxergam no escuro. Beijos! (Depois deixe seu e-mail para retorno, tá?)

Luiza disse...

Olhos de vaga-lume!
bjos,
Luiza

Luiza disse...

ops, esqueci d colocar meu email.

luizafcf@hotmail.com

;)

Fabro disse...

o que me olha dentro do rio é um gato: bah!
e a ilustração de vcs: outro bah!
como é bom ser gaúcho no momento de elogiar.
o elogio torna-se espanto.

bjs
Fabro

Rafaela disse...

De curioso morreu o gato!
Mas esse não rouba, só acrescenta!

beijo!

Hamer disse...

Este poema chama as chamas em nós, como os amarelos olhos psicodélicos do bichano: enigmático e direto... como se de repente isto voltasse a ser possível.
Inspirador para as buscas noturnas dos carnavalescos, hehehe!!!

Laura disse...

Nossa, esse gato e essas palavras forma tão impactantes... Bom voltar aqui e ler as novidades! Sucesso em 2007!

Fernando Chuí disse...

Volte sempre, Laura! Deixe seu e-mail pra retorno na próxima! Beijo do Chuí