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quarta-feira, julho 27, 2011

Santa (I)figênia









Santa (I)figênia.
Na placa, escrito com I.
Vende-se de um tudo
tão simplesmente
onde moram todos -
e os ausentes.
A polícia força o cenho
e o mercado negro mostra os dentes.
Revela e esconde uma mitologia
sem preço - sem precedentes.

(fotografias / texto: Chuí)

terça-feira, julho 26, 2011

Maturidade

Aquilo que chamamos maturidade
é somente a diferença
entre sofrer o peso do mundo em suas costas
e equilibrar um número exorbitante de responsabilidades
que nos é acometido assim que crescemos.

Depois da adolescência:
fazer isso com arte -
é a única felicidade possível.


(texto/desenho: Chuí)

sexta-feira, julho 15, 2011

o lobo


Dizem que é o bando que define o bicho.
Mas que fazer deste animal desgarrado?

Quando somente uma flor
assim escondida, desalinhada
- igualzinha à sua -
que me sacia a fome noturna.


e eu te como e eu te como e eu te como e


Como esta madrugada é cega
você nem pode ver de que materia eu sou feito.

Que formas de solidão compreendem o lobo?


(texto/desenho: Chuí)

segunda-feira, maio 16, 2011

Balanço de Abril: Tribos sem Terra - Juventude 2.0!


Durante o mês de abril - além da preparação realizada em março -, fiz a curadoria do módulo Tribos sem Terra- Juventude 2.0 pelo CPFL Cultura. Nesse projeto, mediei os três primeiros programas e apresentei o quarto, além de apresentar trechos de diversas canções relacionadas ao tema.
Foram incríveis encontros com pessoas igualmente notáveis e que fizeram, a partir de uma discussão sobre música popular brasileira, uma linda reflexão sobre o conceito de juventude hoje a ao longo de nossos tempos.



 



Os 4 encontros
(links para os videos abaixo)


LUIZ TATIT
O primeiro encontro se deu com o linguista e músico Luiz Tatit, autor da teoria da canção no Brasil, e discutimos a canção no universo contemporâneo e a invenção de novas linguas e linguagens entre as novas gerações. Toquei "Esses Moços, Pobres Moços" de Lupiscínio Rodriguez e minha música "Não me Amola". E, ao final, Tatit ainda nos brindou com sua canção Capitu, um paralelo entre a conhecida personagem de Machadoe de Assis e a Internet:
http://www.cpflcultura.com.br/site/2011/04/01/o-corpo-coletivo-e-a-morte-da-cancao-%e2%80%93-luiz-tatit-e-fernando-chui/

ZUZA HOMEM DE MELLO
Tive o privilégio de conversar no dia 8 de abril com o crítico e jornalista Zuza Homem de Mello sobre a questão da política na música popular brasileira. Apresentei trechos de "Cálice" de Chico e Gil, "Ideologia" de Cazuza e ainda, ao final, minha música "Tubaína". Foi o testemunho singular de Zuza e sua reflexão contestadora:
http://www.cpflcultura.com.br/site/2011/04/08/ideologia-quem-quer-uma-pra-viver-%e2%80%93-zuza-homem-de-mello-fernando-chui-e-hamer-palhares-2/

HAMER PALHARES
O terceiro encontro se deu com a participação do co-curador do módulo, o psquiatra Hamer Palhares e discutimos rituais jovens, drogas e interatividade. Ele definiu belamente a juventude em três verbos: surgir, in-surgir e ressurgir e passeamos dos rituais de formação indigenas à história das tribos urbanas.Uma abertura com "Comida" dos Titãs, além de trechos de "Tempo Perdido" de Renato Russo e minha canção "Tsunami".
http://www.cpflcultura.com.br/site/2011/04/15/do-botequim-as-raves-%e2%80%93-festas-drogas-e-outras-redes-sociais-%e2%80%93-fernando-chui-e-hamer-palhares-2/

PEDRO ALEXANDRE SANCHEZ
O último encontro, que apresentei com a canção "Se Você Jurar" de Ismael Silva, foi a palestra-solo do escritor e jornalista Pedro Alexandre Sanchez, em que conversou sobre a história do amor e do sexo na música brasileira em uma demonstração sobre a moral e a emancipação feminina no campo da canção brasileira.
http://www.cpflcultura.com.br/site/2011/05/01/musica-amor-erotismo-em-tempos-de-hiperconectividade-%e2%80%93-pedro-alexandre-sanches-fernando-chui-e-hamer-palhares-2/

Discutir a juventude é discutir o nosso tempo e o encontro em si.
Que tempo bom foi esse. Que encontros!
Foram dois meses intensos de pesquisa, diálogo e reflexão e toda a realização me deixou muito feliz. Agradeço ao CPFL Cultura novamente, Augusto, Giancarlo, Mario, Marta, Barbara, Graziela, Thiago, todos ali que abraçaram o projeto e propiciaram esse momento tão rico e belo de história, crítica e estética.

Beijos a todos,
Chuí

terça-feira, março 29, 2011

Nesta Sexta!: Tribos Sem Terra - Juventude 2.0 - café filosófico com Luiz Tatit

Amigos,
Às sextas-feiras de abril, será realizada uma série de 4 programas produzidos pelo Café filosófico do CPFL Cultura, exibidos em tempo real pelo site http://www.cpflcultura.com.br/, e que buscarão compreender a juventude de hoje - a chamada geração web 2.0 - a partir da discussão sobre a música popular. O módulo chama-se Tribos Sem Terra e tem a curadoria minha e do psiquiatra Hamer Palhares, além de convidados especiais que nos ajudarão a contextualizar a juventude contemporânea por meio de uma análise da cultura da música popular.
Partindo da discussão sobre a música presente hoje no ideário juvenil, o projeto pretende refletir sobre o comportamento da juventude do século XXI vagando - e divagando - sobre seus espaços de compartilhamento, ou seja, de shows e festas específicas de cada gênero às redes sociais e outros lugares de discussão virtual ou presencial. A observação sobre a genealogia dos estilos musicais será contemplada em sua relação com a formação psicológica dos segmentos juvenis que se formaram e se formam nos dias atuais.
O formato do programa compreenderá debates mediados pelo músico e artista visual Fernando Chuí com convidados chamados especialmente para a discussão de temas levantados acerca dos diferentes lugares de cultura, alternando-se com performances músico-literárias. O também curador Hamer Palhares estará presente na platéia fazendo parte da mediação e das provocações. Ao final de cada palestra, haverá o momento de participação do público com perguntas relacionadas às questões originadas no diálogo.
O primeiro encontro será com o músico e professor da USP Luiz Tatit - e autor da teoria da canção no Brasil - e discutirá o lugar da canção nos tempos atuais. Abaixo, a série de encontros e convidados:

Tribos sem terra – juventude 2.0


Curadoria: Hamer Palhares e Fernando Chuí


01/04 – O Corpo coletivo e a morte da canção?

Com Luiz Tatit e mediação dos curador Fernando Chuí

08/04 – Ideologia? Quem quer uma pra viver?

Zuza Homem de Mello e mediação dos curadores Fernando Chuí e Hamer Palhares

15/04 – Do botequim às raves – festas, drogas e outras redes sociais.

Com Fernando Chuí e Hamer Palhares.

29/04 – Música, amor & erotismo em tempos de hiperconectividade.

Com Pedro Alexandre Sanchez e mediação dos curadores Fernando Chuí e Hamer Palhares
 
Será uma maravilha! Venham ver!
Beijos a todos,
Chuí

quinta-feira, março 10, 2011

7 Tweets sobre os 7 Pecados

I
Sofro terrivelmente do pecado da preguiça. Curioso, mas jamais tive preguiça para prática de outros pecados.


II
Pense em quem você mais destesta. Agora pense em quem mais você ama. E responda: qual dos grupos foi mais o alvo da sua ira?

III
Pessoas vazias transbordam inveja.

IV
Pessoas que se julgam melhores do que as outras sempre serão piores do que eu.

V
É um erro grande convidar um avarento para um evento de luxúria.

VI
Quem tem boca vai à gula.

VII
Promíscuos, soberbos, vaidosos, ostentadores - a sociedade os inveja. Hoje só se condena um pecado quando ele não mora ao lado.


(desenho e haitweets de Chuí)

domingo, fevereiro 27, 2011

7 tweets sobre a Estupidez


I
Em terra de cegos, quem tem um olho é discriminado.
II
A ignorância só é feia na boca de pessoas arrogantes. Mas a arrogância é sempre feia, leigos ou eruditos.
III
Sábios não sabem; Tolos não querem saber; Imbecis têm raiva de quem sabe.
IV
Após 4 sitcoms, jogou 7 games e olhou 32 webcams. Chutou estabilizador, desconectou, gritou: idiota! - 1 palavra vale mais que 1000 imagens.           
V
A inteligência humana vive se desdobrando para criar novos instrumentos para a estupidez humana.
VI
Azar da humanidade quando aquele cara - sem olhos, sem ouvidos, sem pele, sem língua e sem nariz - tem boca.
VII
Não basta estar do lado certo das coisas. É preciso saber negociar com o outro.

(desenho e haitweets de Chuí)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

7 Tweets sobre a Violência

I
Tirania, ofensa, bullying - violência é o preço da vida social e moral. O ser humano é o único animal violento. Que violência você pratica?
II
Em um mundo em que há mágoa em não ser famoso, o espaço virtual deu ao anonimato o status de violência e covardia.
III
Catástrofe: estupro da natureza que desconcerta o julgamento moral. No máximo pessoas condenam a si mesmas.
IV
Violência é a força dos fracos.
V
O apedrejamento do time desclassificado. A ira da ex-esposa. O crime passional. Porque nenhum deputado vota pela ilegalização do amor?
VI
Feridas de lutas justas não doem de fato. Fugir ileso sim, pode machucar por anos. Violência reside na humilhação.
VI
Dois cavaleiros andavam lado a lado. Um tinha a espada, o outro a cabeça. A espada cortou a cabeça. A cabeça inventou a espada.

(desenho e haitweets de Chuí)

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

7 Tweets sobre o Sexo

I
Química: toda subjetividade que podemos descobrir em comum no intervalo de nossos corpos e mentes.
II
A mulher é historicamente mais fiel. Não por ética, esse é seu desejo cultural. Ou era. Sexo é um capítulo à parte no livro da ética.
III
Ejaculação: evento capaz de revelar a fronteira entre céu e inferno de um homem.
IV
Sexo entre pessoas que se amam: céu. Sexo entre amigos: mar. Sexo entre desconhecidos: salto de pára-quedas.
V
Minha polidez e minha poética sofrem constantes profanações no sexo. Isso para mim é sagrado.
VI
Atrás de uma imagem, encontrou com diversas mulheres: promiscuidade. Mais tarde, encontrou todas as mulheres em uma única imagem: paixão.
VII
Só espero ser perfeito para você. E que você seja perfeita para mim. E um pouco de sexo sujo para largar mão da babaquice.

(desenho e haitweets de Chuí)

terça-feira, janeiro 25, 2011

Fernando Chuí na Top Magazine - Top Row

 Amigos,
Na edição de dezembro da revista Top Magazine eu apareço na sessão Top Row (caras novas).
A matéria é da querida mel Lenz e a foto de Daniell Marafon.

:FERNANDO chui


"Ele era um desses garotos que adoram desenhar e foi um dos poucos que não largaram o lápis. Músico, desenhista e professor de arte, o paulistano Fernando Chui, 36, acaba de lançar dois livros: Filosofia brincante e Diálogo/desenho [leia em On Top Of], ambos em parceria com a escritora Marcia Tiburi. “Não vejo muita diferença entre desenhar, tocar, cantar ou escrever”, ele diz. “O desenho é uma atividade mais intelectual, fazer música é mais visceral e sensual, escrever é um misto dos dois, mas um processo um pouco mais psicanalítico – algo como redescobrir formas do inconsciente.” Com dois CDs autorais [Feito a mão e Nunca vi mandacaru], Fernando pretende lançar em 2011 o terceiro (Oãça Rock), além de publicar sua pesquisa Uma história íntima do desenho, em que entrevistou grandes desenhistas." www.fernandochui.com.br :Melissa Lenz


Vejam o link online:
http://www.topmagazine.com.br/artigos.php?cat=1

(como é dezembro, não sei bem quanto tempo permanece no ar)

Beijos a todos,
Chuí

quinta-feira, janeiro 20, 2011

7 tweets sobre a Neurose

I

Cuidado ao amar pessoas que aceitam tão bem a própria maldade. Mas não se espante ao ver que é exatamente isso que tanto você gosta nelas.

II

Só se arrepende de se fazer algo errado se no algo errado algo dá errado: ter má experiência ou ser pego. Arrependimento é remorso covarde.

III

A culpa é a vaidade de nosso próprio inimigo interno.

IV

Só pessoas inocentes sentem culpa. Verdadeiros culpados não se lembram de nada.

V

Culpa é a vergonha no campo da intimidade. Vergonha é a culpa no campo da publicidade.

VI

Neurose: abstração matemática tipo f = x - 1: um sem fim de corpos pequenos, um dentro do outro: boneca russa: boneca russa: boneca russa:

VII

Mágoa: a mais nefasta forma de memória que o corpo humano é capaz de armazenar. Pior que a raiva, que ainda pode gerar energia produtiva.


(desenho e haitweets de Chuí)

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Neste sábado: Exposição de Desenho de meus alunos da Poiesis/Oficina Oswald de Andrade

Amigos, convite 2:
Aos que estiverem por aqui no sábado, venham ao espaço de exposição da oficina Oswald de Andrade para a mostra de trabalhos dos arte-educadores que participaram do curso de Formação de Arte-Educadores da instituição Poiesis, onde ministrei a área de desenho.
São mais de vinte pessoas que orientei ao longo deste ano nesta oficina idealizada pela educadora Rosa Iavelberg. Além de desenho, também houve turmas de dança, teatro e música.
Da reflexão sobre a linha expressiva aos momentos com modelo vivo, o curso propôs uma experiência por diversas formas de desenhar em constante movimento de reflexividade sobre cada proposta.
Os belos trabalhos a serem exibidos a partir de sábado são frutos da etapa final do curso em que os arte-educadores se dedicavam a uma proposta pessoal de desenho.
Sou suspeito para elogios, mas confesso aqui meu orgulho e recomendo que venham testemunhar o pensamento gráfico de tantas pessoas talentosas.
Será às 15:30hs, na Rua Três Rios, 363, no Bom Retiro - próximo ao metrô Tiradentes.
Venham!
Beijos a todos,
Chuí

Filosofia Brincante em Porto Alegre - neste sábado!


Amigos,

O livro Filosofia Brincante, que escrevi e desenhei com Marcia Tiburi - só tem me trazido alegrias. Além de já estar na segunda edição em seu segundo mês nas lojas, neste sábado haverá lançamento lá em Porto Alegre, terra de muitos amigos geniais.
Será na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country - Av. túlio de rose, 80 - às 16hs Não poderei estar presente dessa vez por estar cuidando de outro evento (posto mais tarde aqui), mas a querida Marcia Tiburi vai fazer uma oficininha de pensamento com as crianças e vai ser muito brincante.
Acima a colorização de uma página que não entrou na versão final.
Beijos a todos,
Chuí

segunda-feira, novembro 22, 2010

Neste sábado, 11hs - Lançamento de livro Filosofia Brincante!

Amigos,
Neste sábado, dia 27 de novembro às 11 da manhã farei, junto à filósofa Marcia Tiburi, o lançamento de nosso livro infantil, o Filosofia Brincante, na Livraria Cultura de SP – na loja da Record. O livro foi feito por nós em conjunto, desenhos e palavras, buscando o pensamento como aventura divertida e sem idades.
Faremos também o que chamamos de “oficininha de pensamento” com as crianças que aparecerem por lá. Em uma brincadeira de pensar e desenhar, buscaremos fazer o que nossos personagens fazem no livro...
Haverá a mesma oficininha em novas datas em algumas lojas da Livraria Cultura de SP.
A receptividade ao livro está sendo uma maravilha e nem bem chegou nas livrarias já entrou em segunda edição!
Abaixo segue o link para texto e o vídeo que Sérgio Miguez colocou no site da Livraria Cultura:

http://cultura.updateordie.com/2010/11/05/pensar-brincando-brincar-pensando/

E aqui abaixo o link para a Folhinha que publicou um texto e um podcast bem bacana sobre o conteúdo do livro.

http://www1.folha.uol.com.br/folhinha/829415-filosofia-brincante-mostra-como-pode-ser-divertido-pensar-sobre-voce-e-sobre-o-mundo.shtml

Espero poder vê-los por lá para pensar desenhos conosco!

Beijos a todos,
Chuí

terça-feira, novembro 16, 2010

Evandro Affonso Ferreira - O Van Gogh que cortou minha orelha


"Saiu a biografia de Van Gogh. Lindíssima.
Gostaria, entretanto, que os editores me explicassem
o motivo pelo qual o livro tem apenas uma orelha".
(Evandro Affonso Ferreira in Bombons recheados de cicuta)


A figura do artista pobre, solitário e não reconhecido em sua genialidade se tornou clichê na imagem do pintor Van Gogh. Muitos tolos pensam e declaram isso de si mesmos, como se o mundo lhes devesse a fama e que a injustiça maior da humanidade seria o fato de não serem badalados e endinheirados por seu talento incompreendido, Van Goghs perdidos na liquidez da nova era.

No entanto, até hoje, só conheci um ser que realmente fizesse jus a essa comparação.

Evandro Affonso Ferreira escreve diariamente em caneta BIC pelos cafés do shopping Higienópolis, escreve por necessidade, escreve por transbordamento, por encanto e lucidez. Quase tão boa como sua literatura é a sua companhia (a não ser que você tenha estômago muito delicado).

Nesta quinta, Evandro Affonso Ferreira lançará o livro "Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus", o primeiro de sua trilogia de solidões pela Editora Record. Pediu-me certa vez que lhe fizesse a capa, algo que rapidamente produzi, fácil, pois descobrimos que é disso que se trata sua nova fase: uma literatura Tarja Preta!

Absurdado pela beleza das palavras dessa obra, fiz também um texto para a orelha. No entanto, essa foi cortada por Evandro ao se deparar com o belo texto de Juliano Pessanha, filósofo e estudioso de sua obra. Por ter utilizado a outra orelha, Evandro sentiu-se embaraçado ao falar comigo sobre isso. Mas eu lhe disse:

- Van Gogh cortou sua própria orelha, mas somente eu tenho a honra de ter a orelha cortada pelo Evandro Affonso Ferreira!

Quem não tem medo do lobo mau e da literatura que venha nesta quinta-feira ao lançamento deste livro imenso que tive o privilégio de fazer a capa.
Será às 19hs - até as 22hs - quinta agora, reitero, dia 18 de novembro, na Livraria Cultura da Paulista, loja Record.
É isso, abaixo publico a orelha que o Van Gogh de Higienópolis lisonjeiramente me cortou:


"Minha Mãe se Matou Sem Dizer Adeus

Qualquer pessoa que realmente goste de literatura sabe que um livro não é somente um objeto portador de escrituras. É, sim, um ser que, em meio à sua leitura, irá invariavelmente nos manusear, nos apalpar, nos abraçar, nos riscar, nos rasgar, nos amassar e nos amar antes de completar a sua experiência conosco. É nesta compreensão que Evandro Affonso Ferreira esculpe o livro magoado. Minha Mãe se Matou Sem Dizer Adeus nega a beleza a cada domingo-capítulo. Toda página é um bloco específico de rancor. Toda linha significa uma perda. Toda palavra é dor. Mas dor não faz literatura, a literatura é feita de livros. Todavia, o livro magoado dói. Mais do que em ambientes saudáveis, mais do que em amores bem sucedidos, mais do que em classes abastadas, é na complexidade da decadência que a vida que , ao se dilacerar em derradeiras pétalas, dá seu grito estético mais intenso - recupera a intensidade do parto. E o livro magoado nasceu esferografado em guardanapos. O fato é que - em um mundo em que a glória passa distante, a saúde é finita e o amor é um mito – mesmo que em diferentes medidas e diferentes formas de se relacionar, todas as pessoas reconhecem a perda e a desilusão - assim como o desejo obscuro de abandonar o projeto de felicidade recebido natimorto pela civilização. Evandro faz desta decepção uma anti-canção urbana e, deste abandono dos sonhos, ele concebe seu plano literário. O livro magoado é um amigo íntimo que acabamos de conhecer e, não obstante, está de partida. O estilo de Evandro se delineia de forma difícil de definir. Dispensando artigos e compaixão gramatical, sua escrita é ao mesmo tempo lenta como um náufrago que espera por ninguém agarrado a uma tábua de madeira no meio do oceano, e igualmente veloz, como os últimos movimentos de um sujeito a se afogar nos estendendo a mão a quilômetros de nós. O texto repleto de metáforas jamais nos leva a crer que estamos lendo um poeta. A forma como Evandro anuncia imagens jamais nos tira do chão; ao contrário, mantém nossos pés conectados ao solo qual efeito de um vidro de remédios reaproveitado a outras finalidades. A forma do texto e densidade do sentimento servem para criar uma forma de depressão lírica cuja leitura nos é intrigantemente leve .
Por entre pessoas-posfácio e seres éter, Evandro nos acena a possibilidade da assunção de sua pena capital. Tudo é amargo, corrosivo e virilmente fracassado no livro magoado de Evandro.
Difícil definir se “amiga filósofa” é a entidade que o prende afetivamente ao mundo ou se é exatamente aquela que autoriza o personagem a seguir em seu caminho de racionalidade rumo ao fim. Difícil descobrir se é morte ou apelo por alguns instantes a mais de vida.
Ao lermos Minha Mãe se Matou Sem Dizer Adeus é fácil perder o fôlego. E a impressão que temos é a de que ele está se esgotando para sempre. Ele nos diz “adeus meu poeta não nos veremos nunca mais; sei que você treme, mas não é de medo; eu sim”.
Seria impróprio referir-se a este organismo-texto de forma direta, teórica, técnica. Como buscar compreender a palavra dor ou a palavra mágoa por sua definição no Aurélio. Para entender a dor, é preciso permiti-la. Leia apenas se for capaz.
É sempre domingo; chove chora. O livro magoado abre a trilogia das mágoas de Evandro Affonso Ferreira e eleva por fim o fracasso de vida à categoria de obra de arte".
Fernando Chuí

(imagem: capa do livro de E.A.F. por Fernando Chuí)

sábado, novembro 13, 2010

7 tweets sobre o Amor


I
Quando a liberdade gritou a solidão a solidão gritou o amor e o amor gritou a neurose. E a liberdade se ouviu de novo - mas estava rouca.

II
Certo estado da indiferença é muito próximo da crueldade. Crueldade é o oposto passional do amor. Indiferença é o oposto racional do amor.

III
Saudade fábula: Alice que éramos, reino que dói como se nos colhesse a flor da pele dizendo a vida foi real. Uns dias, jardim.

IV
A claridade ilude porque nos distingue. A escuridão apavora porque nos iguala.

V
Sem qualquer discórdia, é você do lado oposto. Conflito ou equilíbrio. Contrária, cheia de terror, se atrai. Que tipo de coragem é o amor?

VI
Eu achava que era difícil. Mais tarde descobri que era impossível. Então eu vi que não passava de ilusão. Foi quando aconteceu.

VII
O descaso matou o amor. A rotina sufocou, o ciúme esfaqueou, a traição atirou. Ira degolou, cinismo cremou. E lá vai o amor, esse gato aí.

(desenho e haitweets de Chuí)

sexta-feira, novembro 05, 2010

Lançamento do Livro Diálogo/Desenho nesta terça!

Amigos,
Nesta terça, a partir das 19hs, estarei na Livraria Cultura da Paulista - Paulista, 2073, conjunto Nacional - lançando o livro Diálogo/Desenho que fiz com a filósofa Marcia Tiburi em uma troca de correspondências sobre o desenho.
O livro tem como mote o desenho e busca refletir sobre seus conceitos possíveis no mundo atual e as relações sócio-históricas e educacionais que ele - o desenho - estabelece com outras áreas do conhecimento, da cultura e da sociedade.
Daremos um livro ao primeiro twitteiro que aparecer por lá!
E prometo um desenho ao lado do autógrafo a quem tiver lido este post e quiser me pedir...
Será muito bom tê-los por lá desenhando conosco esse momento.
Beijos a todos,
Chuí

domingo, outubro 31, 2010

RockFilosofia IV - Chuí e Dr. Hamer Palhares - Psicodelia, Beatles e Jimi Hendrix

O módulo rockfilosofia da CPFL Cultura se concluiu visceralmente nesta última sexta-feira à noite com o encontro que tive com o psiquiatra e especialista em dependência química Dr. Hamer Palhares discutindo o movimento psicodélico do final dos anos sessenta.

Para tanto, contrapusémos Jimi Hendrix e seu "corpo psicodélico" aos Beatles e sua "psicodelia conceitual". Entre música, declamação de textos e diálogo conceitual, a noite se teceu por quase duas horas. O primeiro texto foi extraído do volume I das Crônicas de Bob Dylan e o último da letra Within or Without you de George Harrison. Os outros dois textos foram especialmente escritos para o encontro pelo Dr. Hamer, assim como as versões que fiz de Little Wing, Castles Made of Sand e Purple Haze - de Hendrix - e I am the Walrus, Strawberry Fields Forever e When I´m Sixty-Four - dos Beatles.

Agradeço à CPFL Cultura, Augusto, Giancarlo, Marta, Barbara, Thiago e todos mais pelo carinho, cuidado e profissionalismo com que nos trataram ao longo do módulo que contou comigo e Marcia Tiburi (curadores), além de Daniel Lins, Nelson Motta e Hamer Palhares, correndo as cidades de Santos, Bauru, Ribeirão Preto, Sorocaba e Campinas. Que maravilha que foi.



Acima, um video com a última parte da performance músico-poético-conceitual. Para ouvir o encontro completo, basta acessar nesta semana o link abaixo:

http://www.cpflcultura.com.br/site/2010/11/05/rock-and-roll-e-as-drogas-psicodelia-beatles-e-jimi-hendrix-%e2%80%93-fernando-chui-e-hamer-palhares-2/

Bjs a todos,

Chuí