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sexta-feira, setembro 29, 2006

Itamar Assunção e o Hiper-Pop





As imagens postadas acima são a capa que fiz para a segunda edição do extinto fanzine Fresta de 1997(que tinha como tema o Pop) e três trechos de reportagens da Folha. Os dois primeiros foram retirados da notícia de ontem sobre os dois shows em homenagem a ItamarAssunção de hoje e amanhã no SESC Pompéia, com a grande Ná Ozzetti à frente da banda Isca de Polícia. O terceiro, de uma resenha feita em setembro de 2000 a respeito do primeiro dia do Festival de Música da Rede Globo, em que me classifiquei.
O Itamar é uma figura cada vez mais paradigmática na chamada MPB, e não tenho dúvidas de que cada vez mais seu nome e sua obra serão estampados nos estudos sérios de nossos músicos
populares mais influentes. Ao postar a notícia dos shows especialíssimos no SESC, lembrei-me da velha reportagem sobre o festival de 2000 e cometi a imodéstia de postar a seguir o trecho do artigo onde o crítico me considerava discípulo indireto de Itamar, algo que me deixou bastante orgulhoso(acho que vou até postar na sessão de críticas do meu site...).
Sublinhei em roxo o trecho em que o Arrigo Barnabé se referiu ao som de Itamar como uma música extremamente pop, mas sem concessões.
Tive identificação imediata com esta definição.
Há tempos, ao compor ou analisar certas canções, eu brincava com alguns amigos sobre a busca e necessidade de se atingir o "Hiper-Pop".
A expressão, cunhada por este que vos fala, seria uma espécie de ponto G da música pop, uma supernova da canção. Ligava pro Danilo Monteiro, este mesmo para quem enderecei o último post, e que na época era parceiro de composições via telefone, e dizia:"Acho que acabei de atingir o Hiper-Pop!"
O Hiper-Pop não necessariamente precisava vir transportado na cabine de uma canção radiofônica, podia ser identificado em um motivo melódico de Beethoven.
Por exemplo, quando eu tinha uns dez anos eu ainda nem sonhava tocar violão, só ficava desenhando todo o tempo ou inventando jogos de futebol imaginário nos vãos da sala. No entanto, por vezes eu compunha canções que surgiam em minha mente com letras em um inglês inventado; uma vez, ao cantarolar sozinho no banho, eu constatei que acabava de compor um heavy metal genial. A melodia não saía de minha cabeça e eu repetia cantando sem abrir a boca aquela musiquinha ao longo de todo o dia; cheguei até a rabiscar alguns trechos do letra pseudo-britânica. Depois de algumas horas de regozijo com minha criação, resolvi abri-la para o mundo e fui cantar a música para a minha mãe.
"Acho que essa música já existe, isso é clássico", disse ela sem parar de lavar a louça. Minha fenomenal criação era a Nona Sinfonia de Beethoven.
O Hiper-Pop, ao ser atingido, dá a impressão do encontro com algo eterno, pra frente e pra trás, que sempre existiu e existirá, algo que, inevitávelmente alguém, em qualquer período, idade ou cultura, ainda há de esbarrar em sua vida, mesmo que inconscientemente.
O Hiper-Pop não precisa de permissões; o artista, ao pressenti-lo, segue em frente, ainda que seja o único e vê-lo presente em uma letra ou linha melódica.
Ao buscar o Hiper-Pop, o cancionista de sangue, como foi Itamar Assunção e como eu quero me tornar, não busca meramente agradar os ouvintes(apesar de esta ser obviamente uma meta clara para qualquer artista popular) nem tampouco as gravadoras, mas talvez almeje simplesmente o mágico momento em que a ponta de seus dedos resvala o tecido cósmico do tempo.

4 comentários:

Rafae disse...

Um brinde ao Chuí e ao Itamar(!): "Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça, tomando champagne ou não..."

beijo!

Meu Pequeno Universo disse...

Um brinde ao Chuí e ao Itamar(!): "Aprendi que tudo passa, tomando chá ou cachaça, tomando champagne ou não..."

beijo!

Palena Duran disse...

Oi Chuí,
Bacana este depoimento.
Fiquei aqui a pensar que o Hiper-Pop está mais para Ponto H do que G. Who knows? Higher.
Quanto ao que almeja o artista com sua arte, dá mesmo assunto. No meu caso escrevo porque escrevo, porque é preciso (quanto impreciso), sem isso não sou, não aconteço nem para eu(zinha). No teu, percebo algo meio parecido, seria o exercício dos sentidos?
Dá papo, sem dúvida.
Olha que coisa, ontem ganhei teu disco de uma amiga da Márcia (tua mulher). Foi mesmo insólito, out of the blue. Já o escuto, parabéns, parabéns, meu caro.
beijo da Palena

Fernando Chuí disse...

Obrigado, Palena, que bom que as garrafas ao mar um dia encontram bons ouvidos...