Visitantes

segunda-feira, setembro 25, 2006

A vida pela fresta


Por uma fresta chegamos ao mundo.

Este que nos cercou de dúvidas e medos
com flores e cinzas
se apresenta.
As cinzas encobrem cores vivas
e como em uma maldição
escondem os frutos
produzem os cegos.

Em nome dos olhos
peço permissão para trancafiar
o microscópio de desilusões
para cavar como inseto
a perfurar esta ocidantesca terra
até achar escape
e possamos nos tornar
usina de produzir flores de felicidade
Mais uma vez.

Olhemos pela fresta
para que a cidade não nos engula.

Helmut Schomberg, 1997
(imagem: desenho de Alexandre Kanashiro)

5 comentários:

Hamer disse...

Por uma fresta viemos ao mundo e por uma fresta vemos o mundo. Esta sua Fresta é uma suave prescrição a nos religar a ele.
Eis que é preciso de retórica, psicodelismo e arte para cavar vias onde geralmente há só concreto, aspereza e rudimentos de ligações entre telas; mas é preciso algo a alinhavar todo este cabedal de necessidades "sine qua non" para confecção duma vida poética na internet: o manancial de onde toda criação é subsidiária, aquilo que se pergunta se a alma existe.
Um brinde e vida longa à nossa Fresta!

Hamer

Harumi Nakasone disse...

Eba!!! Blog do Chuí!!!

Fernando Chuí disse...

Caríssimo Hamer, espero vê-lo sempre por aqui nesta nova balada.
Abração do hermano

Fernando Chuí disse...

Harumi, você também!!!
Beijo do Chuí

Danilo disse...

Quando o Eterno Retorno falha, a gente não se escuta.
Gosto da idéia de uma vagina entre o princípio da realidade e a intuição. Longa vida e muitos retornos.
Bejão,
D.