
Qual é o seu nome?
Lá-lá-la-lá...
O meu? Escolha um você, tenho vários.
Recebo novos nomes a cada vez que eu mostro uma face.
Eu sei que dizem que eu sou tudo que se opõe ao bem,
que eu sou o vício e a moléstia,
o agente de todo infortúnio que acomete à dita civilização.
Ah, não dê bola pra gentinha. Lá-lá-la-lá...
Nada há de nos importar agora,
o destinou fez com que nos encontrássemos.
Você me pergunta se foi o azar? Qual a diferença, não é?
Não terá sido esta estranha forma de fome
que você agora experimenta?
Certamente a dúvida, sempre a dúvida,
trouxe você para perto de mim.
Foi ela, afinal, aquela que fundou a minha mitologia.
Sabe, você tem uma beleza que jamais ousaria descrever.
E eu, você não sabe bem o porquê,
mas desperto o seu apetite ou coisa que o valha.
Lá-lá-la-lá...
Ah, qual é o seu nome mesmo?
Confesso que não me importo, a bem da verdade,
com esse tipo de formalidade.
Quem deseja a alma não se liga a nomes.
Um rosto sugere nomes,
mas um nome não revela um rosto.
O seu, contudo, eu pretendo guardar.
Talvez não o seu nome atual,
mas o nome, este, que eu lhe dou agora
no momento em que você fecha os olhos
e me deixa entrar. Lá-lá-la-lá...
É preciso cuidado com o lugar de onde você me vê.
Eu sou exatamente aquele que nega sua visão.
Aquele que tenta seu coração.
Por mais que você tente negar. Lá-lá-la-lá...
Pensar que eu sou uma forma fora do seu ideal,
fora de você, é brincar com fogo.
Pois, apesar dos meus cabelos louros
e das minhas bochechas coradas,
meu único desejo é alisar seus cornos.
Lá-lá-la-lá...
Pois, enquanto você me vê como uma menininha,
eu é que vou brincar com a sua forma de bode,
doce, lépida e pueril,
como quem cantarola uma ciranda.
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(texto e desenho: Chuí)
















